Construir o poder das pequenas e médias empresas
no mercado
Pequenas e médias empresas oferecem dois terços
do emprego na UE. Isto, tendo em conta que a empresa média
europeia emprega 6 pessoas e a empresa média americana
emprega 19[2]. Esta situação, só por
si, não é negativa: as PME's são dinâmicas
e flexíveis. Contudo, faltam-lhes algumas das vantagens
inerentes ao tamanho, tal como economias de escala, acesso
aos mercados (incluindo licitações públicas
maiores), capacidade conjunta de aquisição,
poder de marketing e capacidade de pesquisa.
Atividades conjuntas entre empresas com a forma legal de
cooperativa podem criar estas vantagens, permitindo a empresas
individuais empreender atividades conjuntas e partilhar
riscos, conservando, ao mesmo tempo, a sua autonomia de
administração e independência de propriedade.
Porém, a maioria das empresas não-cooperativas
não têm consciência de que o modelo cooperativo
pode ser um veículo apropriado para atividades em
conjunto deste tipo.
Empresas menores, particularmente aquelas que trabalham
nos campos da alta tecnologia, já estão a
trabalhar, cada vez mais, em pesquisa conjunta ou em agrupamentos.
E deste modo, elas podem agrupar os seus recursos e conhecimentos,
partilhar de forma proveitosa as suas ideias e criar núcleos
de atividade inovadora. As formas utilizadas para tal “networking”
e colaboração variam, mas, na prática,
são frequentemente semelhantes às das Cooperativas.
As novas formas de organização industrial
(“outsourcing”, subcontratação,
produção “just-in-time”, etc),
conduzidas por avanços na informação
e tecnologias de comunicações, permitiram
que as empresas maiores se concentrassem em áreas
que geram um elevado valor adicionado. Isto criou também
novas oportunidades para os seus fornecedores, que são
frequentemente empresas menores. Tais fornecedores devem
poder satisfazer as exigências das grandes empresas
suas clientes e a cooperação horizontal e
vertical com outros fornecedores pode permitir-lhes agrupar
os seus recursos e conhecimentos e alcançar o tamanho
e flexibilidade necessários.
Assegurar a oferta de serviços de alta qualidade
Os Serviços representam 70% da produção
e 69% dos empregos na União Europeia. Mais de 75%
de todos os novos negócios criados na Europa são-no
nos setores de serviços[3]. Empresas de serviços
têm que oferecer uma alta qualidade crescente e serviços
à medida dos seus utilizadores. A inovação
nos Serviços está frequentemente relacionada
com o modo como o serviço é prestado, a sua
concepção ou adaptação ao utilizador.
Uma estrutura cooperativa que permite aos utilizadores
(sócios) controlar ou influenciar o negócio
que os serve é uma forma eficaz e provada para assegurar
que o negócio responda diretamente às suas
necessidades. Por exemplo, uma incubadora empresarial pode
ser controlada pelas empresas nela inseridas, tal como uma
creche é controlada pelos pais. Para muitos dos serviços
educacionais e sociais, os compradores são autoridades
públicas. Os utilizadores não têm, então,
nenhum poder real de mercado, nem controlo sobre como estes
serviços são prestados. O abastecimento via
cooperativas pode dar aos consumidores maior influência
e dar origem a serviços de melhor qualidade e com
maior capacidade de resposta, em particular, nos serviços
de proximidade onde as cooperativas se estão a desenvolver
rapidamente[4].
Construir uma sociedade com base no conhecimento
O capital humano é uma condição prévia
para tal, bem como uma fonte de inovação.
As aptidões e a capacidade para inovação
podem ser traduzidas por acções, com maior
eficácia, nas empresas onde os empregados têm
influência real nas decisões administrativas.
As estruturas de propriedade participativa e administrativa
das empresas cooperativas podem gerar e aplicar eficazmente
os bens intangíveis de conhecimento e aptidão.
Para assegurar que as cooperativas continuem a ter uma
importante contribuição no dinamismo económico
e crescimento dos métodos supra citados:
A.1. Os Estados-Membros têm que assegurar que as
cooperativas beneficiam de:
- Uma estrutura legal, justa e adequada, para a criação
e operação de empresas cooperativas em todos
os setores de atividade;
- Uma política fiscal justa e adequada;
A.2. Os Estados-Membros devem, além disso, promover
o modelo cooperativo como um meio de estabelecer um negócio,
e de agrupar pequenas empresas. Os Estados-Membros devem
também apoiar iniciativas do setor cooperativo para
estabelecer e gerir instrumentos financeiros para as Cooperativas.
B.1. A Comissão irá coordenar a troca de
experiências e de bom desempenho entre as administrações
nacionais (inclusive países candidatos) no regulamento
e desenvolvimento eficaz das Cooperativas. Isto será
feito pela rede de administrações nacionais
com responsabilidade pela economia social (NARSE), e por
reuniões ad hoc de funcionários sobre assuntos
prioritários.
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[1] Fonte: COGECA
[2] Fonte: SME’s in Europe: Competitiveness, Innovation
and The Knowledge-Driven Society (Edição de
2002), EUROSTAT, pág. 14.
[3] EUROSTAT, Statistics in Focus, Industry, Trade and
Services, Tema 4, 9/2003.
[4] Um estudo da EUROSTAT sobre as Cooperativas nos Estados-Membros,
de 8/1995, demonstra que estas estão a crescer com
particular rapidez na educação, saúde
e serviço social, e outras atividades de serviços
do foro comunitário, social e pessoal (NACE, secções
M, N e O).